Com eira e beira

A semana passada, a eira que fica a sul da nossa casa ficou particularmente bonita.

A eira é a zona comum mais bela da aldeia. Situa-se numa cota mais elevada em relação à estrada e está quase toda lajeada de granito. A nascente, há três enormes pedregulhos sobre os quais se têm uma bela panorâmica do vale do Laboreiro e da fronteira da Ameijoeira; a poente, a parte mais alta da aldeia ladeada pelas fragas que levam ao planalto e aos bosques que nos separam da Peneda; a norte e a sul, os muros centenários do nosso quintal e do vizinho.

Já ninguém a frequenta a não ser nós. Foi por isso, presumo, que a Manela quis lá colocar o banco. Foi uma sábia decisão, pois desde então apetece sempre lá estar sentado, para mais agora que aquilo está coberto de flores. Em tempos idos, era lá que toda a aldeia se juntava para bater no centeio. Quando a vi pela primeira vez, nem me apercebi dela pois estava toda submersa em mato e giestas. As primeiras tarefas que levamos a cabo ainda antes de a casa ser nossa e quase por instinto foram precisamente limpar a eira e restaurar o portão que a separa do quintal das traseiras. Desde então, a cada estação que passa, parece-me cada vez mais bonita.

Agora não há centeio nem habitantes na eira. Mas há flores, abelhas, um banco. E nós.

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