Lobão tem razão

Serendipidade é isto: andar há semanas a pensar na efeméride do centésimo post neste blogue e Castro Laboreiro nos agraciar finalmente, ao fim de seis anos por estes trilhos, com a visão do rei absoluto da serra.

Sempre que nos perguntavam pelo elenco dos bichos selvagens que já vimos nesta nossa vida dupla na Entalada (águias, cavalos, raposas, javalis, corços, cabras-monteses, sapos, cobras, salamandras, coelhos, perdizes e uma gineta), terminávamos sempre com a mesma frase: só nos falta ver um lobo. Que eles andavam por aqui, já o sabíamos. Há censos relativamente recentes que mencionam uma alcateia com dezenas de elementos entre a Peneda e o Laboreiro, relatos de cabritos e vitelos por eles atacados e comidos e, mais recentemente, gravações vídeo nocturnas da câmara de vigilância de um vizinho em que eles aparecem com um ar muito descontraído. Também penso ter ouvido um a uivar há dois anos no planalto, um uivo que me encheu de tal maneira de medo e fascínio, que resolvi no momento classificar o evento com uma pequena alucinação de quem estava há mais de uma hora a correr em altitude.

Na passada sexta-feira, no entanto, aconteceu. Tínhamos ido a Virtelo no final da tarde buscar a nossa colmeia com um novo enxame, quando, no regresso pela EM1160, a cerca de 2 km de casa, a Manela chama a nossa atenção para um par de olhos a reflectir a luz dos faróis. Abrandei, pedi logo por instinto ao filhote para se munir do telemóvel e…

…durante uma dezena de segundos ficámos ali a olhar, primeiro para o belo exemplar de um lobo castrejo, e depois uns para os outros, super-gratos por termos finalmente avistado o mais furtivo habitante da serra e de o encontro ter sido em família, a quatro.

Que tal para um post número 100?

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