Colmeias – XI

Este fim-de-semana, levámos a cabo a primeira cresta do ano. Apesar de estarmos apenas na primeira semana de Junho, já tínhamos duas meias-alças praticamente cheias. Acabámos por apenas crestar uma porque a outra ainda tinha alguns (poucos) favos por fechar. Em Agosto, se tudo correr bem, teremos pelo menos mais 4 meias-alças repletas do delicioso néctar.

Agora com 3 colmeias, já tínhamos percebido que o apiário tem agora um número consideravelmente superior de abelhas. A cresta, no entanto, veio demonstrar que temos mesmo muito mais abelhas do que nos anos anteriores. Até agora, sempre fizemos a recolha do mel da mesma forma sob o alpendre da varanda das traseiras: retirar uma meia-alça de cada vez afastando as abelhas com fumo e vassourinhas; transpor os quadros para uma meia-alça vazia que é fechada com duas placas de contraplacado e fita-cola preta; abrir os opérculos da ambos os lados cada quadro com uma faca antes de os colocar no centrifugador; centrifugar o mel para um balde; voltar a colocar a meia-alça com a cera já puxada para junto do ninho de cada colmeia; lavar com água quente e secar a ferramenta e o equipamento; arrumar tudo até à próxima cresta. Tudo sem nunca termos sido importunado por nenhum polinizador alado.

Pois bem, este ano, as coisas foram bem diferentes.

Apesar de, por precaução, termos feito a centrifugação no pátio da frente de forma a ficar ainda mais afastados das colmeias, a verdade é que, mal começámos, dezenas de abelhas deram com o precioso mel que estava a ser crestado e nunca mais nos largaram. Acabámos por ser forçados a mudar o resto da centrifugação para a loja, mas quando abrimos a porta para começar a limpar os despojos no pátio da frente, o número de abelhas tinha-se multiplicado de tal forma que cheguei a pensar que estava a assistir a um enxameamento.

Perante tal cenário, resolvemos improvisar: não iríamos lavar nada e transportar pelo exterior da casa (eira) todo o material do pátio da frente para as traseiras. Ao longo do processo, fomos imediatamente seguidos pelo impressionante enxame de abelhas e, como suspeitávamos, apareceram nas traseiras ainda mais abelhas que, não duvido, irão deixar em poucos dias a cuba, bacias e ferramenta totalmente limpas de mel. Outro facto admirável foi o de nunca termos sido atacados por qualquer abelha ao longo das duas horas que durou o trabalhinho. Depois do almoço, atrevi-me mesmo passar por elas duas vezes sem o fato para despejar matéria orgânica no compostor: elas estavam bem mais interessadas nas sobras da cresta do que na minha pessoa. Foi mesmo emocionante ver tantas abelhinhas fora das colmeias a alimentar-se de um mel que, convenhamos, é bem mais delas do que nosso. A ausência de vespas asiáticas também ajudou a tornar esta cresta a mais espectacular que fizemos até hoje (de certeza que não teremos tanta sorte em Agosto).

Retirámos mais de 7kg de mel daquela bendita meia-alça. Agora é aguardar uma semana para qualquer impureza repousar no fundo do balde, fase fundamental para depois avançar com o enfrascamento (salvo seja). Já temos rótulo da autoria do pequeno, mas isto fica para uma próxima entrada.

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