Regresso aos trilhos após algumas semanas intensas de apicultura (more about that soon).
Este trilho tem algumas histórias pretéritas que o tornam especial.
Há coisa de 15 anos (ou mais), eu a Manela subimos pela primeira vez à Peneda com um grupo simpático de fotógrafos amadores. Fomos pelo caminho mais comum (o que nasce perto da igreja) e creio que na altura tinha começado a correr há pouco tempo pelo que a subida não terá sido assim tão desafiante quanto isso. Era inverno e o lago no topo estava não apenas imenso como completamente congelado. Depois de caminhar um pouco pelo prado circundante, o grupo (de nabos) começou a ter uma certa dificuldade em encontrar o caminho de volta. Estava a escurecer e a brincadeira durou uma boa meia-hora até alguém gritar, para alívio de todos, “É por aqui!”. Era mesmo e regressámos todos sãos e salvos. Mas ficou para sempre na memória aquela sensação de estar perdido e desamparado na serra, acossado pelo frio e pelo entardecer.
Há 4 ou 5 anos, era o João ainda pequeno e nós ainda verdinhos de Laboreiro, parámos a nossa carrinha perto do início de um trilho na estrada da Gavieira. Aquilo era uma valente subida e não raras vezes tivemos de parar para o pequeno descansar e encontrarmos inspiração para os próximos capítulos das histórias que inventávamos para o distrair do esforço. Quando chegámos lá em cima, o que vimos ao longe a cerca de 1km? O lago da Peneda. Tínhamos subido sem sabermos pelo lado oposto ao da igreja e a visão do lago encheu-me não apenas da alegria imediata do reconhecimento, mas também da angústia que tínhamos vivido cerca de uma década antes. Também estava frio e a escurecer. Perante isso, demos a mão ao pequeno e toca a dar meia-volta em direcção ao carro.
No Sábado passado, resolvemos voltar a fazer a subida, mas desta vez decididos a chegar ao lago. Para surpresa nossa, o pequeno não se lembrava DE NADA: nem da caminhada, nem de uma gruta onde tinha brincado, nem da paisagem, nada, zero. Deu também para reparar nas diferenças entre as duas incursões a três: atingimos o topo num instante, em pouco mais de 20 minutos, e a subida pareceu-nos também bem mais curta. Quando chegámos ao ponto em que se vê o lago ao longe, não encontrei em mim qualquer vestígio do desamparo e desconforto que me assolaram no passado. Estou longe de ser um serrano, mas é inegável que nos últimos anos a minha familiaridade com a serra aumentou exponencialmente. E olho agora para o meu filho e não me deixo de espantar com o facto de ele, com apenas dez anos, se sentir já tão à vontade no meio de fragas, bichos e mato.
Percurso no Garmin Connect (6km com quase 300m de ganho de altitude em 2h redondas).












